O Caminho também é um lugar

O Caminho também é um lugar.

Bucareste – Râmnicu Vâlcea
2 de Janeiro, 2019

Árvores despidas marcam presença ao fundo da janela que avisto a caminho de casa. A sua presença apesar de nua é imponente e faz-me sentir o misticismo do ar que paira lá fora. Os terrenos baldios secos esperam que a neve lhes cubra mais uma vez. Ainda agora começou Janeiro. O frio maior está para vir. A vegetação robusta desprovida de cor no correr das bermas da estrada que percorremos, dá lugar a corvos e gaios, que petrificados nos observam.

Tudo diria que teria duas janelas e tudo diria que aquela que mais se encontrava perto de mim seria a escolhida, mas não. Os raios do sol de inverno eram fortes e baixos penetravam-me, tirando-me o poder de escolha daquela equação. Enquanto o caminho se percorre para noroeste apercebo-me que este mesmo sol só derreteu aquele manto branco no sul, mais sul da Roménia (Bucareste e arredores, de onde eu partira). A viagem contínua e o branco realça-se aos olhos de quem vê. Branco, a cor da neve que me revitaliza a alma. O sol já foi embora e agora é possível avistar este mesmo branco a entranhar-se na paisagem fria. A janela antes ofuscada pela presença do calor de um sol penetrante foi descoberta.

Eram 17h17min e faltavam 17km para chegar a casa. Râmnicu Vâlcea estava perto e tudo se desvanecia no escuro, iluminado por umas poucas luzes de Natal em casas escassas e faróis, a ir para o mesmo destino que o meu – casa. Felizmente o caminho que tomávamos não era o mesmo e eu via-os parados à espera de chegar onde era o destino deles. Depois de uma passagem de ano nas montanhas com a família, o correr de faróis iluminados formavam uma serpente nas curvas daquelas montanhas. E eu nas curvas daquele meu caminho, em pensamento adormeci.

Anna Ennes 

Segue o registo fotográfico em: qualquercoisadestavida

Deixe o seu comentário